Desde que entramos em crise, Beatrice e eu entramos naquela de "realizar fantasias sexuais". Depois de transarmos com trajes e cenário dos anos 20, que é uma fantasia que tenho desde que me entendo por mulher, era a minha vez de agradá-la. Minha namorada sempre quis transar em lugar público, que era algo que, particularmente, não me agradava. No fim eu ignorei todas as minhas vontades por saber que nada é mais excitante que excitar a mulher da minha vida. Certa tarde de uma quinta feira, pedi à Beatrice que fosse comigo até a biblioteca que fica próxima à nossa faculdade e, tentando encontrar "O crime do Padre Amaro" (obrigada, Padre, por ter me proporcionado o melhor orgasmo da minha vida), a agarrei pelas coxas e a levei pro corredor mais vazio que pude encontrar. Ao olhar aqueles seios não pude, mesmo se eu quisesse, controlar minhas forças e a joguei contra uma estante, derrubando alguns dos livros. Mais que depressa levei minhas duas mãos para dentro de sua blusa e enquanto agarrava com sede seus seios, beijava, com mais sede ainda, aqueles lábios grossos e feridos. Fui interrompida, infelizmente, pelos passos da bibliotecária e fiquei só a olhá-la, apoiada com uma das mãos na estante.Assim que notamos que estávamos "sozinhas" novamente, Beatrice me olhou e mordeu seu lábio inferior, me tomando em seus braços e tomando também o controle da situação. Me beijava intensa e profundamente os lábios, partindo para minha orelha e pescoço onde, ao que parecia, marcava a minha pele com aquelas sucções. Eu já podia sentir que meu corpo implorava por sua boca e eu estava verdadeiramente úmida, como já era de se esperar. Beatrice desceu a mão e desabotoou meu short, o desceu até que ela pudesse me manusear livremente, e então começou a realizar movimentos desordenados em meu clitóris. O que eu pude fazer foi fechar os olhos. Ela pôs uma das orelhas frente à minha boca e, quando eu não sugava seu lóbulo, gemia bem baixinho, enquanto ela penetrava dois de seus dedos em mim. Já que pelo médio movimento da biblioteca, eu não poderia sentir nada além de seus dedos dentro de mim, eu me permitia me lembrar da última vez que transamos. Eu me lembrava da última vez que pude sentir o gosto de Beatrice. Não fazia muito tempo, fato, mas eu tinha saudade. Se dependesse de mim eu a tomaria o sexo com a boca ali mesmo, na biblioteca, na frente de todos. Essa era a minha maior vontade: fazer Beatrice me sentir dentro dela, naquele momento. Meus pensamentos foram interrompidos com a maravilhosa sensação que aquela mulher, a minha mulher, me proporcionava. Ela me manuseava a todo instante e eu, já com as pernas estremecidas, cravei minhas unhas em suas costas e gemi, definitivamente, alto. Eu havia chegado ao ponto mais alto que uma mulher deseja chegar. Olhei nos olhos de Beatrice e sorri, sentindo os últimos instantes daquele orgasmo. A beijei com uma ternura que mal cabia dentro de mim, passando a mão por sua cintura e fiquei assim por longos minutos. A essa altura a última coisa da qual me lembrava era do Padre Amaro. Este eu deixei na biblioteca. Peguei minha bolsa, minha mulher, minha satisfação e fui comprar um bom vinho. Em casa eu realizaria aquele meu desejo.
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