sábado, 8 de junho de 2013

Progesterona


     E pensar que por conta do teu belo par de seios o meu sonho adolescente escorre ralo abaixo. É por que você exala feromônio que eu engulo todos os desejos. De mês em mês você sangra, e é por isso que não podes sentar ao meu lado no banco de trás. É por que teu simbolo é um espelho de Vênus, e ai casar e ter filhos parece distante, quase inalcançável. Só não te compro uma escova de dentes pra que coloque ao lado da minha, por que ainda não tenho como comprar um banheiro. Ainda uso um banheiro que não é meu, e lá você não pode entrar, por que teu nome termina com "a". Houve um tempo em que eu era mais romântica. Viver de amor, por que não? Me parecia suficiente. E ai eu ficava passando o meu bife e temperando sua salada. Mas parece que a realidade venceu. Do nada percebi que ainda demora pra alugar um conjugado e ser o casal propaganda de margarina. De fato me sinto incompetente. Com as mãos e pés atados, sem que haja algo que eu possa fazer. Eu só posso esperar e espero que me espere. Esperando a gente vive a vida pra viver a nossa vida. E tudo isso por causa de um cromossomo X. Mas, pensando por outro lado, foi exatamente esse cromossomo que fez com que eu me apaixonasse. Se não fosse teu belo par de seios talvez eu não te olharia. Se não fosse teu feromônio você passaria despercebida, e eu não teria passado aquela semana ansiosa pra perguntar como você estava. Talvez um pouco mais de pelo nas pernas e passar a minha na sua não fosse assim tão agradável, tão artigo de primeira necessidade. Pensando concluo que é mais que bom imaginar seus seios nos meus e os nossos cabelos grandes se embrenhando no travesseiro, e a sua atritando a minha, e a gente fazendo amor de uma forma monumental e leve. Delicada e bruta como só dois cromossomos X conseguem. É por causa desse teu cheiro de mulher... Espera que eu te compro uma escova de dentes.

                                                            À A. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

No que se refere à você

E aí, bem, você me pede pra parar de fumar. Pergunto-me como. Como me faz esse pedido se tens sido o meu motivo pra dois maços por dia? Como, se sua loucura faz aflorar a minha, e com ela desejo enegrecer meu interior e esse me parece ser o caminho mais prazeroso? Se antes era como se eu te traísse, agora fumo um atrás do outro, trago o mais fundo que eu puder, e lanço a fumaça o mais longe que eu puder. O mais onde possa te alcançar. No mais, assim, sinto-me a puta mais infeliz, mas a mais cortejada, e por isso mais feliz, de todo o quarteirão. Me inauguraste, mas com certeza não serás o único. Agora, porém, já não sei mais se choro por ti ou gasto minha energia com todos os barbudos que me cortejarem. E também as vedetes, aquelas que tanto te contrariavam. Acho que não há problema (há? )se por acaso eu desejar (e de fato) me deitar a casa riso frouxo e bobagens ditas entre um e outro martini. Não me recuso a abrir e fechar as pernas, e sentir o suor de todas as costas que eu, por acaso, quiser. Não te preocupe com a minha energia. Eu já perdi toda gastando o tempo que gastei com você. (Escrito em março de 2013)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os ramos

Abriu a porta/ Da estação/ Da barca/ Do inferno/ Mas não o inferno de Dante/ O inferno pierrante/ Mais errante que piêrro/ Água salgada/ De baixo dos pés/ De baixo dos olhos/ Quatro pés/ Olhos, dois/ E que ninguém diga/ Que o sangue foi em vão/ Que as pernas deviam fechar/ Que o suor já seco desnecessário/ Seco já desnecessário suor/ Desnecessário seco já suor/ Suou/ E que também ninguém diga/ Que não devia enxurrar/ E agora enxugo/ Enxurro/ Suo/ Abro/ Sangro/ Pra outro que não pierre

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sandice

              A gente sabe que todo carnaval tem seu fim. A gente se lambusa, se embrenha, pula, geme, goza, sorri e ri, comemora por nada, e goza. Dança e goza. Festeja e goza. A gente goza de toda a felicidade estampada na cara de toda mulher e todo homem, que se reflete em nós. A gente goza da nossa inédita forma de amar. A gente goza do nosso inédito estilo de gozar. E goza no sentido orgásmico da palavra. Depois de um longo tempo tentando, e batendo na mesma tecla, e respirando ofegantemente, passando a lingua nos lábios e sua lingua em meus lábios inferiores, se me entendes bem, e ai, bem ai a gente goza, dá um grito abafado e se sente como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo. E ponho a mão nos meus seios, mordo o lábio fortemente, e olho pra você, sorrindo a felicidade de ter sido bom, tão bom, ter suas mãos em minha cintura, e peito, e nuca, e cara, e bunda, e coxas e clitóris. Como foi bom ser jogada na parede e me sentir a vadia mais sortuda.. E mais ordinária. No fim de tudo a gente sabe que acabou. A gente quer mais, mas acabou. Agora eu vou pra casa. Vou suar sozinha, esquecer um pouco de ti. Eu te ligo, se der. E você não me ligue, não me procure, e nem me ache. Foi bom. Adeus. Até mais, ou não. Me lembrarei de ti, mas meu orgulho é maior, bem maior, que a saudade. Só voltarei se por acaso esqueci algo. E que eu não esqueça. Não quero voltar. E não vou. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Manifesto à reconciliação

        Gostaria que os relacionamentos fossem como uma conversa casual num ônibus: quando é chegada a hora, "Meu ponto é aqui. Prazer em te conhecer. Tiau.". Numa conversa como essa nos identificamos, trocamos palavras, descobrimos coisas em comum, às vezes notamos certa afinidade, mas daquilo não passa. É incomum, ao descer do ônibus, que desejemos voltar e retomar a conversa. No entanto, a simplicidade de uma relação dessas é incabível aos nossos namoros, noivados ou casamentos. Eu, humildemente, velho te dizer que amo. E amo você, B. Eu estaria mentindo se dissesse que ainda lhe quero como sempre quis, pois quero muito mais agora, passados esses longos, sofridos e reflexivos meses. Digo reflexivos pois não houve um dia que eu não pensei em tu e me fiz aquela velha pergunta: onde foi que eu errei? De fato eu me envolvi com outras pessoas nesse período. Beijei Lucíola, Archimedes, Anália... Pensava neles por longas horas, abria um sorriso longo e charmoso, imaginava mil cenas ao seu lado, e depois tu me vinhas novamente. Sinto-me uma criança a brincar com iô-iô. O fato é que tu, e somente tu, tem o poder que tens sobre mim. Só tu é dona do meu beijo, do meu amor e do meu vente, por direito. Digo que te amo pois só tu é capaz de me arrancar lágrimas entre o amor e a paixão. É apenas contigo que anseio uma vida, só contigo quero dividir o valor do aluguel e é a teu lado que quero me deitar após um cansativo dia de trabalho.
        Eu juro que tentei, ah, como eu tentei te esquecer. Fica difícil, porém, se me ligas sempre para saber como estou. Mas não reclamo. Eu quero ouvir tua voz. O que eu não quero é ter de te esquecer. O que eu também não quero é que me ofereças aliança alguma agora. Tu me prendes só com teu amor, e me parece mais que agradável, necessário. Mas se me cobras fidelidade, não sou capaz de te atender. Sou capaz de ser só tua apenas por querer. Por ser de minha vontade, e não por que tem de ser. 
        O que eu não aguento é te chamar de "meu amor" na teoria, e pelo nome na prática. Não desejo ser tua mulher, de fato, e tua amiga no nosso dia-a-dia de cada dia. Não quero te entregar de mão beijada ao acaso, se o que eu preciso é ser beijada por tu, depois de tanto tempo, e ao teu lado ter uma vida. Eu quero que me cobres amor, e quero que me cubras com teus gracejos sem nenhum receio. 
        Não sei mais como dizer "eu te amo". Hoje em dia estas palavras perdem seu valor pra qualquer outra. Nem um dia inteiro pensando seria capaz de me fazer usar outras palavras que não "eu" "amo" "você". Então, te digo: eu amo você, e espero que acredite. 
        Considere esta mais que uma carta de amor. 
        E, por fim, digo que te espero. Por quantos anos precisar. 
                                    
                                                                                               Sua mulher, A. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Vestida de preto. Preto luto.

 Meu dia estava tão bom, tão maravilhoso, até eu receber a notícia de que você não estava mais entre nós. Tanta coisa passou pela minha cabeça, naquele momento. Tantas lágrimas rolaram pelo meu rosto, aquele que, um dia, você acariciou.. Por tantas vezes. Saudade é o mau do século, considero eu. E eu conseguia segurar. Eu era boa nisso. Desde a primeira vez que nos vimos e eu pude sentir sua pele na minha, e depois você foi... como um bilhete que cai das mãos e o vento vai levando. A princípio tentei segurá-la, trazê-la de volta.... Depois, desisti. E continuei minha vida. Medíocre, sim. Mas pouco importa. Tanta coisa me lembra você, tanta coisa. Algumas músicas me trazem de volta o seu sorriso e o seu toque, é como se eles estivessem aqui, bem presentes em mim. Sabe uma coisa que não sai da minha mente agora? A sua imagem. Passa uma cena muito infeliz na minha cabeça. É você caindo. Um tombo que te levou daqui pra sempre.
       Bastava que você me pedisse pra ir te encontrar com aquele vestido, e lá ia eu, com o vestido mais rosa e mais mulher que eu tinha... Só pra te ver sorrir, só pra sentir o seu mais apertado abraço. Eu não sei por qual motivo você foi embora. Sei que há um, que não é de meu conhecimento. Mas você soube aproveitar a vida que tinha e agora ela não a pertence mais. Eu sentirei saudades, meu amor. Meu peito sangra. E continuará sangrando por algum tempo. Ainda levará um tempo até que eu entenda o porque de o destino ser tão cruel, às vezes. Porque você não volta? Eu fujo com você. A manhã naquele hospital foi dura e dolorosa. Eu te imaginava deitada naquela maca, fria e sublime... Mas eu não me importei. Só queria te ver descendo aquelas escadas e sorrindo. Eu tinha planos de cuidar de você. Eu tinha... Já que você foi, quero que leve contigo um pedacinho do meu peito. E do meu amor. E aproveite o tempo que tem. Logo te encontrarei.

Bela Carolina

         Engraçado como agora escuto uma bela melodia (não uma apenas) falando de amor, enfim, e me recordo certamente de você. Cada nota tocada e meu pensamento voa..... entra pelas janelas de seu quarto, e deita ao seu lado, em sua cama. Acaricia-lhe o rosto, tira sua blusa e enfim, sua roupa toda. A toma nos braços e a ama durante toda a noite. Mas, a partir deste momento, não é apenas meu pensamento, sou eu, nua. Nua em pensamento, nua verdadeiramente. E verde. Verde como uma fruta que ainda precisa madurar. Verde como alguém ou algo que permanece in natura. Verde como uma imensidão. Imensidão esta que só deseja você, bela Carolina. Whisky, ou apenas uma vodca barata. Por que não? Dois maços de cigarro, um pouco de música, chuva, lá fora.. Duas moças, uma frente à outra. Com os dedos entrelaçados, com os olhares entrelaçados, não haveria de ser diferente. Poderia ser em Paris, poderiam estar ouvindo um Jazz, poderiam ser duas ladies, poderiam conversar sobre música, filme, dança, arte, em sua essência. Mas paremos de cult bacanisse. Na verdade as duas estão se amando, bebendo uma cerveja barata e fumando qualquer cigarro, ouvindo qualquer rock por aí.. Conversando sobre cotidiano. De repente se cansam e resolvem ir ao cinema, ver um filme banal, beijar no escuro, onde ninguém pode ver, onde ninguém pode julgar. Onde elas podem ser elas. Onde elas podem se amar livremente e esquecer do mundo. Na saída do cinema, compram um belo chocolate quente, e no caminho de volta pra casa, riem feito crianças, sem preocupações. No elevador, se acariciam, se tocam, se olham, e até que, na saída, um beijo silencioso toma conta de tudo e elas mal podem se controlar. Dá tempo, felizmente, de pegarem a chave do apartamento e adentrarem o mundo delas. Nesse momento, então, não é mais necessário controle. As respirações ofegantes, os gemidos e olhares sacanas, ao mesmo tempo apaixonados, tomam o lugar dos risos. E os dois corpos puros e nus, das duas moças, se tocam descontroladamente. O sabor delas se misturam. O mundo ao redor se mistura. Só elas e nada mais. Nada além de duas mulheres, entregando-se uma à outra. Observo isso de fora. Querendo que uma delas seja eu. A outra, naturalmente, seja você. E continuo a observar. Sem cigarro, sem cerveja, muito menos vodca ou whisky. Sem cinema, chocolate, sem teu gosto. Sem tuas entranhas frente à minha boca. Muito menos as minhas frentes à sua. O que seria o início de uma nova era. Daí já consigo nos imaginar numa praia. Eu de vestido e você de camisa, dizendo sim. Porém, antes, imagino você, bela Carolina, participando das minhas conquistas, das minhas derrotas, da minha vida. E eu, consequentemente, da sua. Seria pedir demais?? Mas pra começar, eu só desejo você aqui agora, tomando nas mãos a única coisa que considero minha.