Gostaria que os relacionamentos fossem como uma conversa casual num ônibus: quando é chegada a hora, "Meu ponto é aqui. Prazer em te conhecer. Tiau.". Numa conversa como essa nos identificamos, trocamos palavras, descobrimos coisas em comum, às vezes notamos certa afinidade, mas daquilo não passa. É incomum, ao descer do ônibus, que desejemos voltar e retomar a conversa. No entanto, a simplicidade de uma relação dessas é incabível aos nossos namoros, noivados ou casamentos. Eu, humildemente, velho te dizer que amo. E amo você, B. Eu estaria mentindo se dissesse que ainda lhe quero como sempre quis, pois quero muito mais agora, passados esses longos, sofridos e reflexivos meses. Digo reflexivos pois não houve um dia que eu não pensei em tu e me fiz aquela velha pergunta: onde foi que eu errei? De fato eu me envolvi com outras pessoas nesse período. Beijei Lucíola, Archimedes, Anália... Pensava neles por longas horas, abria um sorriso longo e charmoso, imaginava mil cenas ao seu lado, e depois tu me vinhas novamente. Sinto-me uma criança a brincar com iô-iô. O fato é que tu, e somente tu, tem o poder que tens sobre mim. Só tu é dona do meu beijo, do meu amor e do meu vente, por direito. Digo que te amo pois só tu é capaz de me arrancar lágrimas entre o amor e a paixão. É apenas contigo que anseio uma vida, só contigo quero dividir o valor do aluguel e é a teu lado que quero me deitar após um cansativo dia de trabalho.
Eu juro que tentei, ah, como eu tentei te esquecer. Fica difícil, porém, se me ligas sempre para saber como estou. Mas não reclamo. Eu quero ouvir tua voz. O que eu não quero é ter de te esquecer. O que eu também não quero é que me ofereças aliança alguma agora. Tu me prendes só com teu amor, e me parece mais que agradável, necessário. Mas se me cobras fidelidade, não sou capaz de te atender. Sou capaz de ser só tua apenas por querer. Por ser de minha vontade, e não por que tem de ser.
O que eu não aguento é te chamar de "meu amor" na teoria, e pelo nome na prática. Não desejo ser tua mulher, de fato, e tua amiga no nosso dia-a-dia de cada dia. Não quero te entregar de mão beijada ao acaso, se o que eu preciso é ser beijada por tu, depois de tanto tempo, e ao teu lado ter uma vida. Eu quero que me cobres amor, e quero que me cubras com teus gracejos sem nenhum receio.
Não sei mais como dizer "eu te amo". Hoje em dia estas palavras perdem seu valor pra qualquer outra. Nem um dia inteiro pensando seria capaz de me fazer usar outras palavras que não "eu" "amo" "você". Então, te digo: eu amo você, e espero que acredite.
Considere esta mais que uma carta de amor.
E, por fim, digo que te espero. Por quantos anos precisar.
Sua mulher, A.
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