segunda-feira, 29 de abril de 2013

No que se refere à você

E aí, bem, você me pede pra parar de fumar. Pergunto-me como. Como me faz esse pedido se tens sido o meu motivo pra dois maços por dia? Como, se sua loucura faz aflorar a minha, e com ela desejo enegrecer meu interior e esse me parece ser o caminho mais prazeroso? Se antes era como se eu te traísse, agora fumo um atrás do outro, trago o mais fundo que eu puder, e lanço a fumaça o mais longe que eu puder. O mais onde possa te alcançar. No mais, assim, sinto-me a puta mais infeliz, mas a mais cortejada, e por isso mais feliz, de todo o quarteirão. Me inauguraste, mas com certeza não serás o único. Agora, porém, já não sei mais se choro por ti ou gasto minha energia com todos os barbudos que me cortejarem. E também as vedetes, aquelas que tanto te contrariavam. Acho que não há problema (há? )se por acaso eu desejar (e de fato) me deitar a casa riso frouxo e bobagens ditas entre um e outro martini. Não me recuso a abrir e fechar as pernas, e sentir o suor de todas as costas que eu, por acaso, quiser. Não te preocupe com a minha energia. Eu já perdi toda gastando o tempo que gastei com você. (Escrito em março de 2013)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os ramos

Abriu a porta/ Da estação/ Da barca/ Do inferno/ Mas não o inferno de Dante/ O inferno pierrante/ Mais errante que piêrro/ Água salgada/ De baixo dos pés/ De baixo dos olhos/ Quatro pés/ Olhos, dois/ E que ninguém diga/ Que o sangue foi em vão/ Que as pernas deviam fechar/ Que o suor já seco desnecessário/ Seco já desnecessário suor/ Desnecessário seco já suor/ Suou/ E que também ninguém diga/ Que não devia enxurrar/ E agora enxugo/ Enxurro/ Suo/ Abro/ Sangro/ Pra outro que não pierre