E aí, bem, você me pede pra parar de fumar. Pergunto-me como. Como me faz esse pedido se tens sido o meu motivo pra dois maços por dia? Como, se sua loucura faz aflorar a minha, e com ela desejo enegrecer meu interior e esse me parece ser o caminho mais prazeroso? Se antes era como se eu te traísse, agora fumo um atrás do outro, trago o mais fundo que eu puder, e lanço a fumaça o mais longe que eu puder. O mais onde possa te alcançar. No mais, assim, sinto-me a puta mais infeliz, mas a mais cortejada, e por isso mais feliz, de todo o quarteirão.
Me inauguraste, mas com certeza não serás o único. Agora, porém, já não sei mais se choro por ti ou gasto minha energia com todos os barbudos que me cortejarem. E também as vedetes, aquelas que tanto te contrariavam. Acho que não há problema (há? )se por acaso eu desejar (e de fato) me deitar a casa riso frouxo e bobagens ditas entre um e outro martini. Não me recuso a abrir e fechar as pernas, e sentir o suor de todas as costas que eu, por acaso, quiser.
Não te preocupe com a minha energia. Eu já perdi toda gastando o tempo que gastei com você.
(Escrito em março de 2013)
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