A gente sabe que todo carnaval tem seu fim. A gente se lambusa, se embrenha, pula, geme, goza, sorri e ri, comemora por nada, e goza. Dança e goza. Festeja e goza. A gente goza de toda a felicidade estampada na cara de toda mulher e todo homem, que se reflete em nós. A gente goza da nossa inédita forma de amar. A gente goza do nosso inédito estilo de gozar. E goza no sentido orgásmico da palavra. Depois de um longo tempo tentando, e batendo na mesma tecla, e respirando ofegantemente, passando a lingua nos lábios e sua lingua em meus lábios inferiores, se me entendes bem, e ai, bem ai a gente goza, dá um grito abafado e se sente como se aquilo fosse a melhor coisa do mundo. E ponho a mão nos meus seios, mordo o lábio fortemente, e olho pra você, sorrindo a felicidade de ter sido bom, tão bom, ter suas mãos em minha cintura, e peito, e nuca, e cara, e bunda, e coxas e clitóris. Como foi bom ser jogada na parede e me sentir a vadia mais sortuda.. E mais ordinária. No fim de tudo a gente sabe que acabou. A gente quer mais, mas acabou. Agora eu vou pra casa. Vou suar sozinha, esquecer um pouco de ti. Eu te ligo, se der. E você não me ligue, não me procure, e nem me ache. Foi bom. Adeus. Até mais, ou não. Me lembrarei de ti, mas meu orgulho é maior, bem maior, que a saudade. Só voltarei se por acaso esqueci algo. E que eu não esqueça. Não quero voltar. E não vou.
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