Engraçado como agora escuto uma bela melodia (não uma apenas) falando de amor, enfim, e me recordo certamente de você. Cada nota tocada e meu pensamento voa..... entra pelas janelas de seu quarto, e deita ao seu lado, em sua cama. Acaricia-lhe o rosto, tira sua blusa e enfim, sua roupa toda. A toma nos braços e a ama durante toda a noite. Mas, a partir deste momento, não é apenas meu pensamento, sou eu, nua. Nua em pensamento, nua verdadeiramente. E verde. Verde como uma fruta que ainda precisa madurar. Verde como alguém ou algo que permanece in natura. Verde como uma imensidão. Imensidão esta que só deseja você, bela Carolina. Whisky, ou apenas uma vodca barata. Por que não? Dois maços de cigarro, um pouco de música, chuva, lá fora.. Duas moças, uma frente à outra. Com os dedos entrelaçados, com os olhares entrelaçados, não haveria de ser diferente. Poderia ser em Paris, poderiam estar ouvindo um Jazz, poderiam ser duas ladies, poderiam conversar sobre música, filme, dança, arte, em sua essência. Mas paremos de cult bacanisse. Na verdade as duas estão se amando, bebendo uma cerveja barata e fumando qualquer cigarro, ouvindo qualquer rock por aí.. Conversando sobre cotidiano. De repente se cansam e resolvem ir ao cinema, ver um filme banal, beijar no escuro, onde ninguém pode ver, onde ninguém pode julgar. Onde elas podem ser elas. Onde elas podem se amar livremente e esquecer do mundo. Na saída do cinema, compram um belo chocolate quente, e no caminho de volta pra casa, riem feito crianças, sem preocupações. No elevador, se acariciam, se tocam, se olham, e até que, na saída, um beijo silencioso toma conta de tudo e elas mal podem se controlar. Dá tempo, felizmente, de pegarem a chave do apartamento e adentrarem o mundo delas. Nesse momento, então, não é mais necessário controle. As respirações ofegantes, os gemidos e olhares sacanas, ao mesmo tempo apaixonados, tomam o lugar dos risos. E os dois corpos puros e nus, das duas moças, se tocam descontroladamente. O sabor delas se misturam. O mundo ao redor se mistura. Só elas e nada mais. Nada além de duas mulheres, entregando-se uma à outra. Observo isso de fora. Querendo que uma delas seja eu. A outra, naturalmente, seja você. E continuo a observar. Sem cigarro, sem cerveja, muito menos vodca ou whisky. Sem cinema, chocolate, sem teu gosto. Sem tuas entranhas frente à minha boca. Muito menos as minhas frentes à sua. O que seria o início de uma nova era. Daí já consigo nos imaginar numa praia. Eu de vestido e você de camisa, dizendo sim. Porém, antes, imagino você, bela Carolina, participando das minhas conquistas, das minhas derrotas, da minha vida. E eu, consequentemente, da sua. Seria pedir demais?? Mas pra começar, eu só desejo você aqui agora, tomando nas mãos a única coisa que considero minha.
Gostei. Apesar de ser difícil, pra mim, me envolver num texto onde a personagem, o objeto de desejo, ou algo do tipo, tenha o nome da minha irmã, mas eu gostei. rs.
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